Palmas ainda precisa abrir espaço para o pop

Entre artistas locais, fãs e eventos pontuais, a música pop ainda busca mais espaço na programação cultural da capital.

Palmas tem artistas pop locais, fãs do gênero musical e pessoas que acompanham grandes nomes da música pop nacional e internacional. Ainda assim, quando o assunto são eventos voltados a esse público, as opções são limitadas.

Temos eventos pontuais em Palmas, que abrem espaço para diferentes estilos musicais. Porém, a programação desses eventos costuma ser marcada por gêneros que já possuem presença no circuito de shows e festas da capital, como, por exemplo, o gospel e o sertanejo.

Neste ano, o Festival Gastronômico de Taquaruçu trouxe a cantora pop Marina Sena para a sua programação especial de 20 anos. Segundo a Prefeitura de Palmas, a cantora foi uma das atrações mais aguardadas do evento antes mesmo de sua confirmação.

A presença da cantora em um dos principais eventos de Palmas, além de ter atraído público e gerado expectativa entre os moradores, mostra que existe espaço para diferentes vertentes da música pop dentro da cidade. Mas também nos faz refletir: se há público interessado no gênero musical, por que ainda são poucos os eventos pensados para esse público?

Eventos voltados à musica pop podem representar mais do que entretenimento ou uma simples festa, pois abrem espaços para que fãs, artistas e outros envolvidos possam trocar experiências e se aproximar. Esse tipo de encontro também contribui para a construção de uma cena cultural na cidade. A criação de eventos do gênero não precisaria trazer exclusivamente grandes nomes nacionais ou internacionais da música pop, mas também poderia dar espaço a artistas locais, DJs e produtores.

A relação entre o público e a música pop também ultrapassa o ato de ouvir uma canção. Em entrevista ao Jornal UFG, o antropólogo Glauco Ferreira, professor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás (UFG), destaca que a dimensão visual das artistas está cada vez mais ligada às apresentações, premiações e redes sociais. Para ele, a construção de uma artista se relaciona diretamente com sua sonoridade, enquanto os fandoms utilizam as redes para se organizar, promover lançamentos e criar tendências.

Além disso, um evento cultural movimenta uma cadeia que vai muito além do palco. Fotógrafos, profissionais de audiovisual, designers, produtores, vendedores e trabalhadores dos espaços que recebem essas atividades também podem fazer parte dessa movimentação. O evento deixa, portanto, de ser apenas uma festa e passa a integrar uma dinâmica cultural mais ampla.